Realizado no ano de 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o censo demográfico brasileiro fez, entre outras coisas, o levantamento dos adeptos das religiões praticadas no país, calculado, estatisticamente, com base nas pessoas que se autodeclararam como adeptas de determinada religião, ao responderem o questionário da amostra ampla.

Embora não seja possível se conhecer o real número de umbandistas do Brasil, já que foi contabilizado como adepto da Umbanda apenas aqueles que se auto intitularam assim (e, infelizmente, muitos do umbandistas preferem se dizer católicos ou espíritas), é interessante uma análise dos números obtidos, pois permite se identificar como está o senso de pertença e a autoafirmação das pessoas em relação à Umbanda.

Vamos iniciar essa série de matérias com uma pequena comparação entre as pessoas que se autodeclararam umbandistas no censo de 2010, com aquelas que se autodeclararam umbandistas no censo de 2000.

Unidade Censo 2000 Censo 2010 Variação
Brasil 397.434 100,00% 407.332 100,00% 2,49%
Rio Grande do Sul 112.133 28,21% 140.315 34,45% 25,13%
São Paulo 79.119 19,91% 103.554 25,42% 30,88%
Rio de Janeiro 127.519 32,09% 89.626 22,00% -29,72%
Minas Gerais 20.223 5,09% 12.804 3,14% -36,69%
Santa Catarina 4.347 1,09% 8.959 2,20% 106,10%
Ceará 4.897 1,23% 7.158 1,76% 46,17%
Paraná 5.169 1,30% 7.021 1,72% 35,83%
Bahia 6.766 1,70% 6.130 1,50% -9,40%
Pernambuco 7.939 2,00% 3.985 0,98% -49,80%
Pará 3.185 0,80% 3.950 0,97% 24,02%
Maranhão 3.018 0,76% 3.706 0,91% 22,80%
Distrito Federal 3.071 0,77% 3.331 0,82% 8,47%
Mato Grosso do Sul 3.403 0,86% 2.935 0,72% -13,75%
Espírito Santo 4.416 1,11% 2.894 0,71% -34,47%
Goiás 4.535 1,14% 2.878 0,71% -36,54%
Piauí 1.350 0,34% 1.564 0,38% 15,85%
Sergipe 786 0,20% 1.535 0,38% 95,29%
Mato Grosso 1.117 0,28% 1.272 0,31% 13,88%
Paraíba 1.287 0,32% 1.088 0,27% -15,46%
Amazonas 482 0,12% 820 0,20% 70,12%
Rio Grande do Norte 976 0,25% 538 0,13% -44,88%
Rondônia 426 0,11% 438 0,11% 2,82%
Alagoas 778 0,20% 375 0,09% -51,80%
Amapá 100 0,03% 253 0,06% 153,00%
Roraima 38 0,01% 105 0,03% 176,32%
Tocantins 280 0,07% 67 0,02% -76,07%
Acre 74 0,02% 31 0,01% -58,11%

FONTE: IBGE, Censo 2010, Tabela 2094 (http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=cd&o=10&i=P&c=2094).

Olhando para o quadro acima (organizado com base no número absoluto de umbandistas autodeclarados em 2012), percebe-se que houve um pequeno aumento, de 2,49%, dos brasileiros que se autointitulavam umbandistas, naquele ano. Embora esse crescimento seja bem inferior ao crescimento populacional do país no período (12,29%), o mesmo indica que houve uma inversão de tendência no que se refere ao número de pessoas que se autointitulam umbandistas no país, uma vez que até o ano 2000 esta tendência era de queda.

Ainda com base no quadro acima, percebe-se que houve um ligeiro aumento da concentração de pessoas que se autointitulavam umbandistas em apenas 03 Unidades da Federação (Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro), passando de 80,21% do total, para 81,87% do total. Esse aumento de concentração só não foi expressivo porque o aumento de pessoas que se autointitulavam umbandistas no Rio Grande do Sul (de 28,21% para 34,45% do total) e em São Paulo (de 19,91% para 25,42% do total), foi contrabalanceado pela expressiva queda no número do Rio de Janeiro (de 32,09% para 22,00% do total). Isso mostra que embora continue existindo uma forte concentração de pessoas que se autointitulavam umbandistas em poucos Estados, tem havido uma forte migração daquelas, das terras fluminenses para terras gaúchas e paulista.

Já que tratamos de aumento e diminuição do números de pessoas que se autointitulavam umbandistas, percebemos, com base no quadro acima, que 03 Estados tiveram um crescimento de mais de 100% daquele número, entre 2000 e 2010: Roraima (176,32%), Amapá (153,00%) e Santa Catarina (106,10%). Além desses, os Estados que também apresentaram aumento naquele número foram: Sergipe (95,29%), Amazonas (70,12%), Ceará (46,17%), Paraná (35,83%), São Paulo (30,88%), Rio Grande do Sul (25,13%), Pará (24,02%), Maranhão (22,80%), Piauí (15,85%), Mato Grosso (13,88%), Distrito Federal (8,47%) e Rondônia (2,82%). No outro extremo da tabela, os que tiveram redução naquele número, foram: Tocantins (-76,07%), Acre (-58,11%), Alagoas (-51,80%), Pernambuco (-49,80%), Rio Grande do Norte (-44,88%), Minas Gerais (-36,69%), Goiás (-36,54%), Espírito Santo (-34,47%), Rio de Janeiro (-29,72%), Paraíba (-15,46%), Mato Grosso do Sul (-13,75%) e Bahia (-9,40%).

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