No capítulo entitulado  “Da Cruzada espírita ao Abrigo Thereza de Jesus” do livro No mundo dos espíritos publicado em 1925 pelo  jornalista Leal de Souza( já largamente garimpado neste blog) , encontramos o  discurso do Sr. J.R. Brigagão, feito no salão de conferências do Abrigo Thereza de Jesus, que nos dá alguma dimensão da importância e do grau de notoriedade que os feitos do médium  Zélio Fernandino de Moraes  ganharam  no Rio de Janeiro do século passado e que disponibilizo , seguindo a grafia original do livro, a seguir:

“-Ha poucos dias, na visinha cidade de Nictheroy, uma linda moça, na flor da edade,cheia de sonhos azues e illusões douradas, adoeceu de enfermidade mysteriosa. Foram chamados bons medicos e a enferma não melhorou. Antes, peorou. Novos doutores foram consultados, porém a donzella, aggravando-se rapidamente o seu estado, foi julgada sem salvação. Em desespero, seu pae, um commerciante abastadissimo, ouviu os conselhos de um amigo e solicitou os soccorros ao centro espírita Nossa Senhora da Piedade, onde se manifestam espiritos de caboclos, mas, acabára de pedir taes auxilos, quando recebeu a noticia do desenlace fatal: sua filha fallecera ás 5 horas da tarde.Voltou o pae em pranto, para o seu lar abalado. Veio um medico, examinou a moça e lavrou o attestado de obito. Lavou-se e vestiu-se o corpo. Foi collocado, sob flores, na mesa mortuaria, entre velas bruxoleantes. Um sacerdote fez a encommendação.

Às 8 horas da noite, ao iniciar a sua sessão, o centro espírita Nossa Senhora da Piedade, não tendo sido avisado do fallecimento, fez uma prece pela saude da moça já morta. Manifestando-se o espirito do guia e protector do centro, disse:

“-Um grave perigo ameaça a pessoa por quem oraes. Continuae as vossas preces com fervor e sem interrupção, até que eu volte, pois vou sair para socorrel-a”. Os espiritas do centro Nossa Senhora da Piedade, orando com fervor, esperaram cerca de duas horas, e, ao termo dellas, manifestando-se de novo, o espirito de seu guia disse-lhes: “Está salva a moça”. Espiritos máos, convocados por motivo de ordem pessoal, haviam envolvido a joven em fluidos venenosos, que a estavam matando. Não se quebrára, porém, o fio que liga o Espirito ao corpo.

Às 8 horas da noite, terminou o narrador, a moça continuava na mesa funeraria, com todos os signaes de morte. Às 9 horas, uma demonstração de vida animou-lhe a face e, percebendo-a, seu padrinho preveniu seu pae. Retirada da camara mortuaria e reposta em seu leito, a moça reabriu os olhos, e, momentos após, erguia-se curada, completamente boa. Os espiritos dos caboclos, em combate travado nos espaços, tinham vencido os espiritos máos...”

1: LEAL DE SOUZA, No mundo dos espíritos, 1925, p. 47 e 48.

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