Continuando a nossa análise sobre os adeptos da Umbanda e do Candomblé no censo do ano 2000, vamos analisar mais detalhadamente esse universo na cidade do Rio de Janeiro.

IBGE – Censo 2000 – Tabela 2106 – Pessoas de 15 anos ou mais de idade por religião, sexo e grupos de anos de estudo
Universo analisado: município do Rio de Janeiro – RJ
Grupos de anos de estudo Total Homens Mulheres
Total 91.853 100,00% 35.671 100,00% 56.182 100,00%
Sem instrução e menos de 1 ano 2.967 3,23% 642 1,80% 2.325 4,14%
1 a 3 anos 6.253 6,81% 1.924 5,39% 4.330 7,71%
4 a 7 anos 21.576 23,49% 7.673 21,51% 13.903 24,75%
8 a 10 anos 20.299 22,10% 7.808 21,89% 12.490 22,23%
11 a 14 anos 29.378 31,98% 12.590 35,29% 16.788 29,88%
15 anos ou mais 11.115 12,10% 4.954 13,89% 6.161 10,97%
Não determinados 265 0,29% 80 0,22% 185 0,33%

Iniciando pela análise da tabela 2106, referente aos anos de estudo dessa população, observa-se em primeiro lugar que o sexo feminino compõe 63,49% do números de umbandistas e candomblecistas da cidade maravilhosa, confirmando, assim, algo facilmente identificável em quase todos os terreiros: a presença marcante de mulheres em seus rituais.

Avaliando o grupo de pessoas que possuíam 8 anos ou mais de estudo (ou seja, o antigo 1º grau completo) na ocasião da pesquisa, verifica-se que 66,18% do total de umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação. Separando esse grupo pelos sexos, verifica-se que 71,07% dos homens e 63,08% das mulheres umbandistas e candomblecistas enquadravam-se nessa situação.

Avaliando o grupo de pessoas que possuíam 11 anos ou mais de estudo (ou seja, o antigo 2º grau completo) na ocasião da pesquisa, verifica-se que 44,08% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação. Separando esse grupo pelos sexos, verifica-se que 49,18% dos homens e 40,85% das mulheres umbandistas e candomblecistas enquadravam-se nessa situação.

Avaliando o grupo de pessoas que possuíam 15 anos ou mais de estudo (ou seja, o ensino superior completo) na ocasião da pesquisa, verifica-se que 12,10% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação. Separando esse grupo pelos sexos, verifica-se que 13,89% dos homens e 10,97% das mulheres umbandistas e candomblecistas enquadravam-se nessa situação.

Das análises acima percebe-se que há muito o que fazer para melhor o nível de estudo dos umbandistas e candomblecistas. Aos 15 anos de idade era esperado que quase todas as pessoas tivessem pelo menos 8 anos de estudo, ou seja, terminado o antigo 1º grau, e pelo resultado percebe-se que este resultado ainda está longe de ser alcançado, principalmente no segmento feminino. Pela análise, verifica-se também que menos da metade do universo total possuía 11 anos ou mais de estudo na época, ou seja, terminado o antigo 2º grau, e que era muito baixo o percentual de umbandistas e candomblecistas com 15 anos ou mais de estudo, ou seja, concluído o ensino superior, sendo, em ambos os casos, pior esse resultado para o universo feminino que para o masculino.

Vamos analisar agora a tabela 2110, referente aos grupos de idades e as classes de rendimento nominal mensal de umbandistas e candomblecistas cariocas.

IBGE – Censo 2000 – Tabela 2110 – Pessoas de 10 anos ou mais de idade por religião, sexo, classes de rendimento nominal mensal e grupos de idade
Universo analisado: umbandistas e candomblecistas do município do Rio de Janeiro – RJ
Classes de rendimento nominal mensal Grupos de idade Total Homens Mulheres
Total Total 95.535 100,00% 37.580 100,00% 57.955 100,00%
Total 10 a 19 anos 10.267 10,75% 4.798 12,77% 5.469 9,44%
Total 20 a 29 anos 17.750 18,58% 7.645 20,34% 10.107 17,44%
Total 30 a 39 anos 19.248 20,15% 8.303 22,09% 10.945 18,89%
Total 40 a 49 anos 20.827 21,80% 7.640 20,33% 13.189 22,76%
Total 50 a 59 anos 13.616 14,25% 4.742 12,62% 8.874 15,31%
Total 60 a 69 anos 8.497 8,89% 2.812 7,48% 5.686 9,81%
Total 70 anos ou mais 5.329 5,58% 1.641 4,37% 3.687 6,36%
Até 1 salário mínimo Total 36.667 38,38% 10.512 27,97% 26.155 45,13%
Até 1 salário mínimo 10 a 19 anos 8.725 7,52% 4.044 6,09% 4.682 8,45%
Até 1 salário mínimo 20 a 29 anos 7.185 7,52% 2.287 6,09% 4.899 8,45%
Até 1 salário mínimo 30 a 39 anos 6.014 6,30% 1.583 4,21% 4.430 7,64%
Até 1 salário mínimo 40 a 49 anos 6.285 6,58% 1.210 3,22% 5.075 8,76%
Até 1 salário mínimo 50 a 59 anos 4.013 4,20% 728 1,94% 3.285 5,67%
Até 1 salário mínimo 60 a 69 anos 2.644 2,77% 347 0,92% 2.297 3,96%
Até 1 salário mínimo 70 anos ou mais 1.801 1,89% 312 0,83% 1.489 2,57%
Mais de 1 a 5 salários mínimos Total 34.828 36,46% 14.092 37,50% 20.736 35,78%
Mais de 1 a 5 salários mínimos 10 a 19 anos 1.411 1,48% 695 1,85% 716 1,24%
Mais de 1 a 5 salários mínimos 20 a 29 anos 7.858 8,23% 3.884 10,34% 3.975 6,86%
Mais de 1 a 5 salários mínimos 30 a 39 anos 7.729 8,09% 3.464 9,22% 4.265 7,36%
Mais de 1 a 5 salários mínimos 40 a 49 anos 7.835 8,20% 2.842 7,56% 4.994 8,62%
Mais de 1 a 5 salários mínimos 50 a 59 anos 4.825 5,05% 1.490 3,96% 3.335 5,75%
Mais de 1 a 5 salários mínimos 60 a 69 anos 3.147 3,29% 1.045 2,78% 2.103 3,63%
Mais de 1 a 5 salários mínimos 70 anos ou mais 2.022 2,12% 673 1,79% 1.348 2,33%
Mais de 5 salários mínimos Total 24.039 25,16% 12.976 34,53% 11.064 19,09%
Mais de 5 salários mínimos 10 a 19 anos 131 0,14% 59 0,16% 71 0,12%
Mais de 5 salários mínimos 20 a 29 anos 2.707 2,83% 1.474 3,92% 1.233 2,13%
Mais de 5 salários mínimos 30 a 39 anos 5.505 5,76% 3.256 8,66% 2.250 3,88%
Mais de 5 salários mínimos 40 a 49 anos 6.707 7,02% 3.588 9,55% 3.120 5,38%
Mais de 5 salários mínimos 50 a 59 anos 4.778 5,00% 2.524 6,72% 2.254 3,89%
Mais de 5 salários mínimos 60 a 69 anos 2.706 2,83% 1.420 3,78% 1.286 2,22%
Mais de 5 salários mínimos 70 anos ou mais 1.506 1,58% 656 1,75% 850 1,47%

Pela análise da tabela 2110, observa-se que existe um equilíbrio entre a população de umbandistas e candomblecistas cariocas que possuem 40 anos ou mais de idade e 39 anos ou menos de idade (50, 52% e 49,47%, respectivamente), com grande parte deles concentrados na faixa entre 30 e 49 anos (41,95%).

Dividindo essa população nas categorias de jovens (de 10 à 19 anos), adultos jovens (de 20 à 39 anos), adultos (de 40 a 59 anos) e idosos (acima de 60 anos), observa-se que ela é formada por 10,75% de jovens, 38,73% de adultos jovens, 36,05% de adultos e 14,47% de idosos.

Por essa análise podemos perceber que ela é uma população madura e que está gradativamente envelhecendo, o que poderá significar um decréscimo no número de adeptos dessas religiões a longo prazo.

Avaliando o grupo de pessoas que ganhavam mensalmente até 1 salário mínimo, verifica-se que 38,38% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação. Separando esse grupo pelos sexos, verifica-se que 27,97% dos homens e 45,13% das mulheres umbandistas e candomblecistas enquadravam-se nessa situação, o que demonstra que a renda mais baixa, ou a falta dela, afeta principalmente o segmento feminino de adeptos, particularmente o de mulheres adultas jovens.

Avaliando o grupo de pessoas que ganhavam mensalmente mais de 1 salário mínimo a até 5 salários mínimos, verifica-se que 36,46% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação. Separando esse grupo pelos sexos, verifica-se que 37,50% dos homens e 35,78% das mulheres umbandistas e candomblecistas enquadravam-se nessa situação, o que demonstra um certo equilíbrio entre os sexos nessa classe de rendimentos. Entretanto, observa-se que a maioria dos homens dessa classe é formada por adultos jovens.

Avaliando o grupo de pessoas que ganhavam mensalmente mais de 5 salários mínimos, verifica-se que 25,16% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação. Separando esse grupo pelos sexos, verifica-se que 34,53% dos homens e 19,09% das mulheres umbandistas e candomblecistas enquadravam-se nessa situação, o que demonstra uma concentração de renda no segmento masculino, principalmente o de adultos.

Das análises acima, percebe-se que existe uma grande desigualdade nas classes de rendimento mensal entre os sexos, afetando principalmente a população de mulheres umbandistas e candomblecistas cariocas, revelando a urgência em se trabalhar para melhorar esse aspecto, principalmente atuando junto as adultas jovens, que estavam em plena capacidade produtiva e muitas não possuíam renda ou recebiam apenas 1 salário mínimo por mês.

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