Realizado no ano 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o censo demográfico brasileiro fez, entre outras coisas, o levantamento dos adeptos das religiões praticadas no país, utilizando pela primeira vez a opção Umbanda separada da opção Candomblé, permitindo, assim, se conhecer o número de umbandistas no país. Entretanto, é importante ressaltar o fato de que foi contabilizado como adepto da Umbanda apenas aqueles que se auto intitulavam assim. Infelizmente, muitos do umbandistas preferem se dizer católicos ou espíritas de forma a evitar o preconceito alheio e a vergonha de serem ridicularizados, o que impede uma medição mais fidedigna do seu real número.
Embora tenha disponibilizado o número de umbandistas no país separado do número de candomblecistas, o IBGE não disponibilizou as informações referentes a anos de estudo e renda nominal mensal dos umbandistas separadas das dos candomblecistas, o que impede uma análise mais fidedigna da realidade umbandista. Apesar desta limitação, é interessante uma análise dos números obtidos, pois permite desmentir alguns mitos acerca dos umbandistas e dos candomblecistas, bem como identificar algumas características dessa população.

Vamos iniciar a análise observando os anos de estudo de umbandistas e candomblecistas cariocas e compará-los com os de outros grupos da cidade: o da população total da cidade, o de católicos romanos, o de evangélicos de origem pentecostal, o de espíritas e o de pessoas sem religião.

IBGE – Censo 2000 -Tabela 2106 – Pessoas de 15 anos ou mais de idade por religião, sexo e grupos de anos de estudo
Universo analisado: município do Rio de Janeiro – RJ
Grupos de anos de estudo População total analisada Umbandistas e candomblecistas Católicos Romanos Evangélicos de origem pentecostal Espíritas Sem religião
Total 4.534.258 100,00% 91.853 100,00% 2.823.610 100,00% 463.830 100,00% 177.209 100,00% 541.843 100,00%
Sem instrução e menos de 1 ano 197.692 4,36% 2.967 3,23% 112.755 3,99% 30.982 6,68% 1.935 1,09% 30.060 5,55%
1 a 3 anos 384.129 8,47% 6.253 6,81% 232.142 8,22% 57.006 12,29% 5.017 2,83% 52.670 9,72%
4 a 7 anos 1.155.685 25,49% 21.576 23,49% 703.476 24,91% 153.592 33,11% 20.378 11,50% 160.012 29,53%
8 a 10 anos 971.363 21,42% 20.299 22,10% 590.482 20,91% 112.113 24,17% 30.085 16,98% 116.911 21,58%
11 a 14 anos 1.233.680 27,21% 29.378 31,98% 791.103 28,02% 92.676 19,98% 70.370 39,71% 119.396 22,04%
15 anos ou mais 574.045 12,66% 11.115 12,10% 383.264 13,57% 14.989 3,23% 48.866 27,58% 60.745 11,21%
Não determinados 17.664 0,39% 265 0,29% 10.387 0,37% 2.471 0,53% 559 0,32% 2.048 0,38%

Pela análise da tabela 2106, observa-se que o mito de que a Umbanda e o Candomblé são religiões de “gente sem estudo” cai por terra.
Avaliando o grupo de pessoas que possuíam 8 anos ou mais de estudo (ou seja, o antigo 1º grau completo) na ocasião da pesquisa, verifica-se que 66,18% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação, média superior ao da população carioca como um todo (61,29%), ao de católicos romanos (62,50%), ao de evangélicos de origem pentecostal (47,38%) e ao de pessoas sem religião (54,82%), ficando abaixo apenas do grupo de espíritas (84,26%).

Avaliando o grupo de pessoas que possuíam 11 anos ou mais de estudo (ou seja, o antigo 2º grau completo) na ocasião da pesquisa, verifica-se que 44,08% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação, média superior ao da população carioca como um todo (39,87%), ao de católicos romanos (41,59%), ao de evangélicos de origem pentecostal (23,21%) e ao de pessoas sem religião (33,25%), ficando abaixo apenas do grupo de espíritas (67,29%).

Avaliando o grupo de pessoas que possuíam 15 anos ou mais de estudo (ou seja, o ensino superior completo) na ocasião da pesquisa, verifica-se que 12,10% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação, média superior ao de evangélicos de origem pentecostal (3,23%) e ao de pessoas sem religião (11,21%), próxima ao da população carioca como um todo (12,66%) e inferior ao de católicos romanos (13,57%) e ao de espíritas (27,58%).

Da análise acima, percebe-se que a população de umbandistas e candomblecistas cariocas possuía um bom nível educacional quando comparado aos outros grupos, precisando melhorar apenas no quesito educação de nível superior, na qual está abaixo da média da população carioca como um todo.

Vamos analisar agora as classes de rendimento nominal mensal de umbandistas e candomblecistas cariocas e compará-las com as de outros grupos da cidade: o da população total da cidade, o de católicos romanos, o de evangélicos de origem pentecostal, o de espíritas e o de pessoas sem religião.

IBGE – Censo 2000 – Tabela 2110 – Pessoas de 10 anos ou mais de idade por religião, sexo, classes de rendimento nominal mensal e grupos de idade
Universo analisado: município do Rio de Janeiro – RJ
Classes de rendimento nominal mensal População total analisada Umbandistas e candomblecistas Católicos Romanos Evangélicos de origem pentecostal Espíritas Sem religião
Total 4.976.601 100,00% 95.535 100,00% 3.087.748 100,00% 521.411 100,00% 186.316 100,00% 602.628 100,00%
Sem rendimento 1.765.132 35,47% 28.059 29,37% 1.053.512 34,12% 222.283 42,63% 49.630 26,64% 229.974 38,16%
Até 1 salário mínimo 425.916 8,56% 8.608 9,01% 251.567 8,15% 63.368 12,15% 9.623 5,16% 50.355 8,36%
Mais de 1 a 5 salários mínimos 1.615.684 32,47% 34.828 36,46% 1.003.143 32,49% 177.058 33,96% 49.291 26,46% 201.558 33,45%
Mais de 5 salários mínimos 1.169.870 23,51% 24.039 25,16% 779.525 25,25% 58.703 11,26% 77.772 41,74% 120.742 20,04%

Pela análise da tabela 2110, observa-se que o mito de que a Umbanda e o Candomblé são religiões de “gente pobre” cai por terra.

Avaliando o grupo de pessoas sem rendimento ou que ganhavam mensalmente até 1 salário mínimo, verifica-se que 38,38% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação, resultado melhor que a da média da população carioca como um todo (44,03%), ao de católicos romanos (42,27%), ao de evangélicos de origem pentecostal (54,78%) e ao de pessoas sem religião (46,52%), sendo superado apenas pelo do grupo de espíritas (31,80%).

Avaliando o grupo de pessoas que ganhavam mensalmente mais de 1 salário mínimo a até 5 salários mínimos, verifica-se que 36,46% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação, média superior ao da população carioca como um todo (32,47%), ao de católicos romanos (32,49%), ao de evangélicos de origem pentecostal (33,96%), ao de espíritas (26,46%) e ao de pessoas sem religião (33,45%).

Avaliando o grupo de pessoas que ganhavam mensalmente mais de 5 salários mínimos, verifica-se que 25,16% dos umbandistas e candomblecistas estavam enquadrados nessa situação, média superior ao da população carioca como um todo (23,51%), ao de evangélicos de origem pentecostal (11,26%) e ao de pessoas sem religião (20,04%), próxima ao de católicos romanos (25,25%) e inferior ao de espíritas (41,74%).

Da análise acima, percebe-se que a população de umbandistas e candomblecistas cariocas possuía um bom nível de rendimento nominal mensal quando comparado aos outros grupos, possuindo uma situação melhor que a da média da população carioca como um todo em todas as análises.

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