Casa onde surgiu a Umbanda de Zélio de Moraes está sendo demolida
É com grande pesar que reproduzimos a matéria do jornal “O Globo” de hoje, dia 05/10/2011, que nos conta que a casa onde ocorreu a primeira sessão de Umbanda, em 16/11/1908, está sendo demolida.
Renato Guimarães.
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Construção que registrou o surgimento da umbanda está sendo demolida por novo dono
por: Herculano Barreto Filho (herculano.filho@extra.inf.br)
RIO – A história do surgimento da umbanda, que começou a ser escrita numa casa centenária na Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo, está reduzida a escombros. O antigo terreiro de Zélio de Moraes, que abrigou as primeiras sessões da única manifestação religiosa 100% brasileira, começou a ser destruído na segunda-feira. A fachada e a parte lateral da entrada do imóvel já foram derrubadas. A previsão é que a casa seja totalmente destruída até sexta-feira, segundo o mestre de obras Gilson Derbui, de 54 anos. Ele coordena uma equipe de oito trabalhadores, entre pedreiros e ajudantes, que trabalham há quatro meses na obra:
- A casa está em ruínas. A madeira com cupim poderia levar a um desabamento.
O terreno, que pertencia à família do fundador da umbanda, foi vendido no fim do ano passado ao militar Wanderley da Silva, de 65 anos, que irá transformar o local numa loja de alumínio. O proprietário não foi encontrado. As paredes da sala, que já serviram de abrigo às manifestações religiosas, exibem contas de material de construção, rabiscadas a lápis pelos pedreiros que trabalham lá. Um dos quartos virou depósito, com sacos de cimento empilhados. Na área, um fogão aquece a marmita, o café e a comida para o cachorro Leão, que protege a obra nas madrugadas.
ONG pedirá investigação do MP estadual
A derrubada da casa já provoca polêmica. A ONG Projeto Legal irá pedir ao Ministério Público estadual que seja instaurado um inquérito civil público para apurar a responsabilidade do dano ao patrimônio histórico. Militantes de movimentos em favor da liberdade religiosa irão se reunir, às 14h desta quarta-feira, para um abraço simbólico à casa. Já a prefeita Aparecida Panisset, que é evangélica, não se pronunciou sobre o caso.
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Minha alma chora…
Raquel, em poucas palavras você conseguiu sintetizar o sentimento de todos nós que amamos esta religião. Paz e equilíbrio.
Sinceramente, o que mais me chateou foi o fato da família do Zélio ter se desfeito da casa sem nem levar em consideração os seus fatos históricos!! Eles simplesmente venderam a casa e pronto.
Que o novo proprietário vai demolir, bem, ele está no direito dele. Ele comprou a casa com o intuito de construir algo pra ele. Ele não tem obrigação nenhuma de manter em pé uma construção velha que não lhe servirá para nada.
É lamentável uma religião já tão carente de conteúdo histórico, deixar se perder assim um registro importante.
Olá, Márcio.
Antes de mais nada, obrigado por acessar o nosso blog.
A casa de Neves era propriedade da bisneta da dona Zilka, irmã de Zélio. Pelo que sabemos, ela (a bisneta) não era umbandista: muito pelo contrário, ela não gostava de Umbanda. Então, para ela, se desfazer da casa não era nada demais.
Até onde eu sei, da família de Zélio só sobraram como umbandistas a Lygia (neta de Zélio e atual presidente da TENSP), o marido dela e os filhos dela, mais ninguém. Infelizmente, eles não são ricos e não possuíam condições financeiras de adquirir o imóvel.
Atualmente, a única propriedade da família que sobrou, que é da época de Zélio, é a Cabana de Pai Antônio, em Cachoeiras de Macacu. Mesmo a casa em que Zélio vivia em Boca do Mato (salvo engano, é a ultima casa da Travessa Zélio de Moraes) teve que ser vendida, por falta de condições financeiras para a família mantê-la.
Abraços, Renato.